segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Marcelino pan y vino

Difícil ou quase impossível driblar o calor infernal do final de semana, o jeito foi tentar se distrair da melhor maneira possível. A minha maneira foi bem saudosista, vendo DVD´s antigos no domingo, depois de um sábado mais refrescante na praia.
Um desses filmes é muito especial para mim, Marcelino Pan Y Vino, uma película espanhola de 1955 que foi o primeiro filme que eu assisti no cinema, lá pelos idos da metade da década de oitenta. Minha estréia como expectadora da sétima arte.
Esse filme retrata uma história simples e encantadora, rodada ainda em preto e branco, contando o milagre que se deu na vida do pequeno Marcelino, de apenas cinco anos de idade: um encontro divino. Foi um estrondoso sucesso cinematográfico da época.
Sempre que vejo filmes antigos fico imaginando como foi a continuidade da vida dos atores que deles participaram. A exceção dos mais efetivamente conhecidos, que tiveram suas tragetórias sempre publicamente alardeadas, a maioria não se sabe o que aconteceu. Fui pesquisar então sobre Pablito Calvo, o ator do filme Marcelino. Descobri que ele fez mais alguns filmes infantis na época, e que chegou a visitar o Brasil, mas que se mostrou uma criança bastante mimada. Por fim abandonou a carreira artística, se formando engenheiro industrial e mantendo uma vida mais "normal".
Talvez o problema dos grandes sucessos é que eles são quase sempre únicos. No fundo transforma bem mais quem os assiste, do que quem efetivamente os faz...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Camuflagem

Nova polêmica envolvendo as Forças Armadas e a homofobia: os gays não sabem comandar. Isso porque já se falava anteriormente que o militar que porventura fosse homossexual deveria nunca sair do armário. Dentro dessa "filosofia" de trabalho, o uniforme camuflado não é apenas uma peça de tecido para ser usada durante as atividades da caserna, a camuflagem já faz parte da pele e da alma dos militares. Um teatro de marionetes. Um faz de conta.
Só por curiosidade, alguém já contou quantos homossexuais "enrustidos" tem as forças armadas? Provavelmente não, daria muito trabalho tanta contagem...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sushi Bar

A gente sempre gosta de falar mal das coisas e das pessoas, mas falar bem também vale, principalmente quando se sai satisfeito de algum lugar. Para os amantes da culinária japonesa, vale a pena conhecer o Feng Shui Sushi Bar, subida do morro da Mole. Tudo fresquíssimo, muito saboroso, salmão de primeira qualidade. Confira o blog do Bistrô: http://fengshuifloripasushibar.blogspot.com/

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Noticiário das tragédias

O ano começou cheio de tragédias nacionais e mundiais. Terremotos, desmorronamentos, enchentes, acidentes. Ao assistir o noticiário, fico lamentando ao ver que a mídia jornalística seja muito mais panfleteira do que humanista (e agora não precisa nem mais curso superior...) As palavras que eu mais ouvi foram "exclusivo", "com exclusividade", "o primeiro repórter", como se os cenários dos locais destruídos fossem maquetes montadas para um espetáculo midiático em que o prêmio seria dado aos que apresentassem a imagem mais trágica, o mais rapidamente possível.
Lamentável, simplesmente lamentável...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Zilda Arns

Deixo aqui registrado o meu pesar e a minha grande admiração por esta catarinense que sempre deixou muito claro em todas as suas ações de que o ser humano sempre vale a pena. Quiçá eu algum dia alcance uma infima parte dessa sua crença e bondade.

"Sou humano demais pra compreender
humano demais pra entender
que aqueles que escolheste e tomaste pela mão
geralmente eu não os quero do meu lado."
(trecho da música "Humano Demais" do Pe. Fabio de Melo)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A persistência da memória

Estava lendo "Não espere pelo epitáfio" de Mario Sergio Cortella, quando me deparei com a seguinte frase: "Eu não tenho ódio, eu tenho é memória", autoria do mineiro Pedro Nava (mais um da categoria médico-escritor).
Interessante como essa frase parece encaixar perfeitamente em meus sentimentos. As coisas acontecem em nossas vidas, sejam elas boas ou não, e talvez o mais difícil não esteja em vivenciar esses momentos, mas em conseguir esquecê-los. O passado ronda o nosso presente e traz fantasmas, fantasmas ressuscitados pela nossa memória, fantasmas que nos tomam de sobressalto como um ladrão da felicidade presente. E não é ódio aos que nos fizeram mal ou aos acontecimentos infortúnios, é apenas a memória, a lembrança que teima em não desaparecer.
A imagem aí acima é de Salvador Dali, o quadro A Persistência da Memória. Esse quadro sempre me faz pensar que se o tempo cura tudo, algumas vezes a dita persistência da lembrança de acontecimentos negativos (ou quem sabe até positivos) vence inclusive a passagem do tempo.
"Eu não tenho ódio, eu tenho é memória" sintetiza a minha luta de cada dia, luta esta que prossegue sem esperar que vença o tempo ou a memória, mas que espera tão somente, e enfim, que estes fantasmas do passado se tornem menos assustadores...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Apenas expectadores

Pilha de filmes disponíveis, escolhi assistir The Gathering (O Encontro), de 2002, com a eterna Wednesday Addams, a atriz Christina Ricci. Ainda não havia assistido, provavelmente pela minha relutância pessoal em assistir filmes que sejam ou que remetam ao gênero de terror, assombração, etc.
Achei interessante a história do filme. Uma igreja construída no século I por alguém que assistira a crucificação de Cristo, nesse caso José de Arimatéia, o homem rico considerado um discípulo não-oficial de Jesus, é descoberta por acidente. Nesta igreja estão esculpidos em relevo o rosto dos expectadores da morte de Cristo. Com o desenrolar da história descobre-se que estes expectadores foram amaldiçoados e condenados a vagar pelo mundo assistindo a todas as tragédias da humanidade. Uma espécie de castigo por terem assistido inertes à crucificação, sem nenhuma manifestação de repúdio ou contrariedade a condenação do Filho de Deus.
Hoje em dia somos uma multidão, milhares de expectadores das calamidades e misérias do mundo, sem nem ao menos mover uma palha, sem uma indignação, sem um único grito de desconforto. Estamos amaldiçoados a viver de fones de ouvido, vidros de carro fechados, ocupando nossas vidinhas com o máximo possível de atividades úteis e inúteis, tudo para poder assistir, somente assistir, sem descruzar os braços, sem sussurar nenhum palavra, sem desalienar nossos movimentos.
Foi um bom filme. Uma boa história. Mas deixou em meu pensamento poucas esperanças...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Nunca temos tudo

Acredito que a maioria das vezes em nossas vidas as alternativas são excludentes. Nunca temos tudo. Nem sempre é sol-e-chuva. As coisas são de um jeito e não são de outro. Ou é frio, ou é quente. Ou é inverno, ou é verão. Escolhemos algo e isso implica que abrimos mão de alguma outra coisa. Não sei se isso é comigo ou acontece com todo mundo, mas o que sei é que eu queria algumas vezes ter mais. "Eu sempre quero mais do que eu posso ter" já cantava o Capital Inicial. Ter mais no sentido de ter resultados múltiplos, seja qual for a escolha. Se eu gostasse muito de chocolate eu diria que é algo como degustar esse doce sem engordar. Não ter uma perda quando temos um ganho. O prazer sem o dever. Mas não é assim que funciona. O que me resta é desejar que 2010 seja um pouco menos excludente, ou que sejamos, enfim, menos exigentes...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

2010

Era uma vez... e já vem 2010. Como um brisa suave daquelas que tocam nosso rosto no final de um dia de muita labuta. Trazendo o frescor da missão cumprida, a sensação do descanso, a preparação para recomeçar. Algumas vezes eu pensei que o dia 31 de dezembro não tinha muito sentido em ser comemorado, era um dia como outro qualquer. Nada de especial acontecia, não amanhecíamos dia primeiro de janeiro diferentes. Ao contrário, continuávamos os mesmos da noite anterior, um pouco mais cansados, com alguma ressaca no corpo, mas definitivamente iguais. Esse ano que está terminando me ensinou para que servem as viradas. Me mostrou como é importante renovarmos as esperanças. E principalmente, me trouxe a alegria de poder olhar o caminho trilhado e poder dizer ao meu bom Deus: Obrigada!!!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Poema de Natal

Tomo como minhas as palavras de Fernando Pessoa neste "Poema de Natal":

Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça,
Do lar que nunca terei!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ver a vida passar

Passeio no centro da cidade, diversas coisas pra fazer, movimento intenso de final de ano, pessoas indo e vindo, corre-corre, compras, passeios... Nesse fervo todo resolvi passar pela praça XV para ver o tradicional presépio, esse da foto aí acima. Aproveitei uma brecha na agenda de compromissos e sentei em um dos bancos da praça. Fiquei por mais ou menos uma hora vendo a vida passar. Gente com pressa, gente sem pressa, sorvete na mão, pasta no braço, roupa da moda, roupa antiquada, gente jovem, gente antiga. E por uma hora a vida passou e eu fiquei só observando. E pensando que a vida passa, sempre passa, quer estejamos atentos ou não. Quer a gente olhe para o lado ou não. E como diz o povo, "não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe". Por que? Porque a vida sempre vai passar...

sábado, 12 de dezembro de 2009

Janelas fechadas

Sinto que no passar dos dias parece estar ficando cada vez mais difícil eu deixar interferir na ordem do caos em minha vida. Uma sequência de existir e não existir com o horizonte máximo de uns poucos dias de céu indefinido. Quero estar sempre fora do meu espaço quando esse caos da ordem do caos acontece. O meu espaço é meu e dividí-lo parece ser recriar um novo velho ser sendo que é esse o ser que eu venho matando nos últimos tempos um pouco a cada dia. Agora eu quero ditar as regras mas nem sempre consigo. Eu quero ser o juíz que apita o começo o meio e o fim da partida. Mas não sou confiável. Ainda faltam algumas peças. As janelas ainda estão fechadas...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A sombra

Continuo vendo a sombra das pessoas.
Uma voz que não emite.
O amor que não desabrocha.
As mentiras que alfinetam.
Uma sombra que tem uma forma.
Com um cheiro de passado.
Um gosto azedo que não se aparta.
A leitura das mesmas palavras.
A sombra do medo de um espírito.
Um mal que espreitou e passou.
Com um turbilhão de desespero.
Mas que cravou uma dor.
Que vai... e volta... como a sombra...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fla HEXA!!!

Fla HEXA!!!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Budapeste

Ontem assisti Budapeste e fiquei com a impressão de que o filme tentou ser alguma coisa, passou perto de várias coisas, e não conseguiu ser nenhuma delas. Em alguns momentos o filme parece tentar o caminho intelectual onde as coisas nem sempre são muito diretas, mas acabou ficando confuso. Abraçou com firmeza o fato de ser um filme brasileiro, onde o excesso de nudez chega até a comprometer a seriedade do filme.
Não li o livro original do Chico Buarque, mas se lá está o que está no filme, ele não é nada original. Em inúmeros momentos os acontecimentos me remetiam a outros filmes, como se a história fosse uma compilação de outras histórias. Como a coisa do escritor escrever livros nos corpos, que já apareceu em The Pillow Book, filme esse, aliás, que me fez ver Ewan McGregor inteiramente nú pela primeira e única vez. Ou até mesmo a discussão no bar sobre a dicção de um palavra em húngaro, que me fez lembrar o clássico My Fair Lady. E assim por diante.
Não sei se o Chico e seus lindos olhos deveria se abster de incursões ao mundo literário, ou se deveria escolher melhor quem os adapta para a grande tela. Para mim Budapeste ficou no limiar entre amadorismo e falta de originalidade tupiniquim, o que, aliás, não me surpreende nem um pouco...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

ABC da Felicidade

Coisas que me fazem feliz...

A mar a vida
B anho de espuma
C arrinhos
D ia de sol
E spreguiçar
F im de semana
G eladeira cheia
H umanidade
I ntenções sinceras
J ogo de futebol
L er um bom livro
M úsica
N ovidades boas
O rar em música
P resença de amigos
Q ualidade de vida
R isadas
S onhar
T elefonema de quem se gosta
U m elogio
V iola na mão
X aveco bem feito
Z uniar a vida...

domingo, 29 de novembro de 2009

Ilusões

"Há ilusões perdidas mas tão lindas que a gente as vê partir como esses balõezinhos de cor que nos escapam das mãos e desaparecem no céu..." (Mario Quintana).
Se talvez a filosofia nos diga que a felicidade é não esperar, a poesia nos diz que a felicidade pode ser perder as ilusões.
"Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto, após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio!"
(Mario Quintana).
Já perdi muitas ilusões. Não me pareceram exatamente balõezinhos indo embora, mas me deram a impressão de que as ilusões só sobrevivem na alienação. Também não sei se foi alívio o que eu senti, mas tive a sensação de ter trilhado um longo caminho na busca da realidade. A realidade não tem muita cor, nem sempre brilha e quase nunca está envolta em brancas nuvens. Mas é o que nos resta depois da perda das ilusões. Acho que o mundo real para mim é mais fácil de lidar. Posso tirar qualquer couraça e despir qualquer máscara, no mundo real não precisamos de um comportamento irreal, precisamos apenas da seriedade de ser o que se é. Isso mesmo, o mundo real algumas vezes é um pouco mais sério, pois só nos permite um sorriso no canto dos lábios no momento em que vemos alguém nadando na ilusão de um mundo de faz-de-conta no qual, em algum instante, próximo ou não, irá certamente se afogar. E esse sorriso no canto dos lábios quer dizer, apenas e tão somente, que por aquelas águas turbulentas eu já passei... e sobrevivi...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sempre resta a música

O mundo gira, sempre gira. Pode a gente querer ou não. Independente do que planejamos. Não sei se as coisas estão escritas (é o tema de "Quem quer ser um Milionário?") ou se simplesmente acontecem. Mas sempre tentamos buscar entender. E nessa roda vida, onde tudo acontece, até quando não percebemos, fico feliz porque se ainda assim pouco restar, sempre resta a música...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Vc mora com quem?

Fazendo uma estatística do chute, eu diria que uns 8 entre 10 caras que vc conhece pela internet logo nos primeiros 15 minutos fazem a pergunta: "você mora com quem?".
Talvez do lado masculino essa pergunta tenha por objetivo descobrir o tipo de pessoa que está do outro lado da tela: aquela que ainda não construiu sua vida e portanto mora com os pais, aquela que ainda não construiu sua vida mas está tentando e portanto mora com as amigas, e aquela que já construiu sua vida e portanto mora sozinha (não estou contando aqui aquelas que estão desgostosas da vida e moram com o marido...). Eu diria que esse pensamento é uma tentativa de ser bem boazinha com os moçoilos.
Na verdade a mensagem que me passa é a de que ele está tentando descobrir a rapidez com a qual tem chances de chegar aos finalmentes (e o custo disso): com aquela que mora com os pais ou pagando motel ou usando o carrotel, com aquela que mora com as amigas pode sair de graça mas tem de esperar a oportunidade do casal ficar sozinho, e com aquela que mora sozinha fica barato e sem empecilhos.
Será que os homens buscam algo a mais do que isso em um relacionamento? Se for, fazer perguntas mais inteligentes seria um bom começo...